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Publicado em 02/03/2011 | Categoria: APAC em destaque
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Recife e Rio: causas distintas e dramas iguais

Relevo mais suave, colinas mais arredondadas e estáveis fazem toda a diferença quando se comparam os morros da Região Metropolitana do Recife com as serras do Rio de Janeiro. Composta de pedras cobertas por sedimentos, com relevo mais agudo e instáveis, a região serrana carioca está mais sujeita a deslizamentos.

“É a natureza buscando seu equilíbrio, num processo natural”, diz a geóloga Margareth Alheiros, professora da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). O deslizamento das montanhas no Rio de Janeiro diz ela, é um evento geológico, que aconteceria de todo jeito, com ou sem casas construídas no lugar. “O evento geológico só vira desastre quando há moradia no caminho, em áreas inadequadas”, explica.

Os morros do Grande Recife, por sua vez, são considerados maduros. Isso significa que a colina já caiu o que tinha de cair, no processo natural. Sendo assim, a água de chuva bate, escorre e não tem mais o que arrastar. Então, por quê as barreiras continuam desabando na região metropolitana? “Nesse caso não é mais um processo natural, é a forma de ocupação inadequada dos morros. Aqui, se morre por causa disso”, responde a professora.

Um dos principais vilões é o corte vertical da barreira, que tira a estabilidade da colina. O corte é feito para se criar terreno, onde são construídas as casas. A distância entre a moradia e a colina é outro problema. “Numa barreira de três metros de altura, por exemplo, a casa deveria ficar a três metros de distância do pé do morro. Numa queda de barreira, o imóvel não seria atingido”, comenta Margareth Alheiros.

Ela sugere a criação de regras para ocupação das colinas, como acontece com a parte plana da cidade. “Morro é terra de ninguém. É preciso uma política de ocupação do solo, que depois seja transformada numa lei focada na redução de riscos.” Também propõe uma força-tarefa para realização de planos de contingência, envolvendo universidades e governos.

Nas áreas planas, ocupações irregulares das margens dos rios e o crescimento das cidades, com impermeabilização do solo são os principais responsáveis pelas inundações. Além de tirar as famílias ribeirinhas e implantar no local equipamentos públicos de lazer, a engenheira e especialista em recursos hídricos Susana Montenegro, professora da UFPE, faz outras recomendações.

“Não há uma solução única para o controle das enchentes urbanas. São necessárias barragens de contenção de cheias, uso de pavimento permeável nas ruas e criar reservatórios de detenção, que acumulam água e liberam lentamente para o sistema convencional de drenagem”, diz Susana, diretora de Regulação e Monitoramento da Agência Pernambucana de Águas e Climas.

Segundo ela, estão em andamento projetos para dragagem (retirada do excesso de areia) do Bacia do Rio Beberibe, com recuperação das margens, e de revitalização da Bacia do Rio Capibaribe, com saneamento, dragagem e tratamento das margens.

Extraído da reportagem especial "Os vizinhos do abismo", no caderno de cidades do Jornal do Commercio do dia 23/01/2011