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Publicado em 31/01/2017 | Categoria: APAC em destaque
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Proposta de pesquisadores da UFPE e da Apac sobre águas em bacias interligadas é aprovada pela NSF (EUA)

Uma equipe multidisciplinar composta por professores da UFPE, liderada pela professora Márcia Alcoforado de Moraes, do Departamento de Economia, e pelo diretor-presidente da Agência Pernambucana de Águas e Clima (Apac), engenheiro Marcelo Asfora, foi convidada para participar da elaboração de uma proposta submetida em 2016 e recentemente aprovada no Programa de Parcerias Internacionais para Pesquisa e Educação (Partnerships for International Research and Education – Pire) da Fundação Nacional de Ciência dos Estados Unidos (National Science Foundation – NSF).

Fonte: Apac


Liderado pelo professor Alex Mayer, da Michigan Technological University (MTU), a proposta ao Pire busca solucionar conflitos na alocação de água entre os usos em bacias interligadas ao redor do mundo. O Pire é um programa do NSF extremamente competitivo criado para apoiar atividades internacionais de pesquisa e educação numa abordagem multidisciplinar, que habilita pesquisa de ponta nas ciências através da viabilização dessas parcerias, educando e preparando uma força de trabalho de classe mundial em Ciências, Tecnologia, Engenharia e Matemática. Ao mesmo tempo, o programa fomenta a capacidade de instituições em diversas partes do mundo de colaborar internacionalmente.

Com orçamento estimado em US$ 4 milhões (cerca de R$ 13 milhões) e duração de cinco anos, a proposta foi uma dos 55 selecionadas entre as 260 concorrentes para apresentar o projeto completo. De acordo com os pesquisadores, o foco é na competição entre os usos da água em diversas bacias no mundo, em particular os conflitos entre a agricultura irrigada e o abastecimento humano, que devem se intensificar não só pela expectativa de crescimento de valores demandados em ambos os usos, mas também pela viabilização de transferências de água entre regiões, através da interligação de bacias.

Projetos de interligação de bacias em geral vêm sendo planejados, construídos e avaliados em todo o mundo pelo lado da oferta , ou da chamada segurança hídrica (o que no projeto é chamado de hard-path). Isto não tem evitado conflitos sociais, impactos ambientais e perdas econômicas. A hipótese da equipe é que modelagens participativas, com o envolvimento dos principais interessados na gestão de recursos hídricos, pode revelar a viabilidade do que eles chamam de “soluções soft-path”, que promoveriam flexibilidade, resiliência e colaboração. Essas soluções compreendem uma combinação de incentivos do lado da demanda, especialmente econômicos, melhorias tecnológicas no lado da oferta e estratégias de governança para promover um uso mais eficiente de água, o que em conjunto é geralmente chamado gestão da demanda.

Uma avaliação crítica dos desafios e dos impactos sociais, ecológicos e econômicos das interligações de bacias estudadas apoiará o desenho das políticas soft-path a serem propostas em cada estudo de caso, que inclui grupos de bacias interligadas no México, Espanha, Brasil e EUA. Cada país terá a sua própria equipe de pesquisadores, que interagirá com os demais grupos incorporando alunos da graduação e pós-graduação dos programas envolvidos.

No Brasil, a proposta definiu, como estudo de caso, três importantes bacias do estado de Pernambuco: Capibaribe, Ipojuca e Una. Estas, além de se interligar entre si, receberão água do eixo leste do Projeto de Integração do São Francisco (Pisf), a chamada Transposição do SF através do Ramal e da Adutora do Agreste.

Para Marcelo Asfora, da Apac, que também trabalhou na elaboração da proposta ao lado da equipe de pesquisadores locais e internacionais, a tendência da Gestão de Águas em Pernambuco é a de se voltar cada vez mais para a gestão da demanda e uso de soluções soft-path. Na verdade, segundo o diretor-presidente da Agência, “a baixa potencialidade hídrica do estado de Pernambuco, a menor do Brasil, impõe à gestão pública o desenvolvimento de políticas que tornem o uso da água mais eficiente, reduzam as perdas e priorizem os usos que contribuem para o desenvolvimento social e econômico do estado”.

EQUIPE – O grupo multidisciplinar de pesquisadores do Brasil foi liderado pela professora Márcia M. G. Alcoforado de Moraes (Departamento de Economia, Programas de Pós-Graduação em Economia (Pimes) e Programa de Pós-Graduação em Engenharia Civil e Ambiental (PPGEC)) e contou com os professores Alfredo Ribeiro Neto (Departamento de Engenharia Civil e PPGEC) e Josiclêda Galvíncio (Departamento de Ciências Geográficas e Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento e Meio Ambiente (Prodema)). A professora Márcia atribui o convite ao grupo da UFPE e ao Brasil à participação desses pesquisadores em projetos de pesquisa internacionais anteriores, bem como publicações na área em revistas de alto impacto. O projeto completo deverá ser enviado até o dia 24 de abril e a previsão é de que em torno de 15 deles serão financiados pelo NSF. 

A equipe que elaborou a proposta teve ainda a participação da pesquisadora Marianna Siegmund-Schultze, da Universidade Técnica de Berlim, que vem estudando a governança dos recursos hídricos no Nordeste brasileiro desde 2012, em um projeto de pesquisa que integrou professores e pesquisadores brasileiros e alemães em busca de soluções sustentáveis na região dos reservatórios da bacia do São Francisco. Ela será professora visitante do Departamento de Engenharia Civil da UFPE no decorrer deste ano.

“O nosso estado, o Nordeste e o Brasil, com investimentos consideráveis em infraestrutura para interligação de bacias já realizados, deverão se beneficiar do desenvolvimento de políticas públicas de água que aperfeiçoem a gestão e aumentem a eficiência no uso da água. Na UFPE, o engajamento em um grupo de pesquisa de classe mundial deve beneficiar sobremaneira os programas envolvidos e os nossos alunos, impulsionando mais publicações de alto fator de impacto e alavancando recursos financeiros. Ao mesmo tempo, aumenta-se o conhecimento em modelagens participativas e soluções soft-path aplicadas à nossa realidade, o que deve subsidiar o desenho de políticas no Brasil, que evitem os impactos negativos dos conflitos advindos da transferência de água entre bacias”, ressalta a professora Márcia.

Fonte: Agência de Notícias (UFPE)