Entre os dias 16 e 22 de março, a Agência Pernambucana de Águas e Clima (Apac) promoveu a Semana da Água 2026, alinhada ao tema definido pela Organização das Nações Unidas (ONU): “Água e Igualdade de Gênero”. A proposta destacou a relação direta entre o acesso à água, a equidade de gênero e o desenvolvimento social, reforçando o papel essencial das mulheres na gestão, no uso e na proteção dos recursos hídricos.
Ao longo da semana, a programação reuniu atividades que estimularam reflexões sobre o acesso equitativo à água e ao saneamento, evidenciando que a segurança hídrica também está diretamente ligada à justiça social e ao desenvolvimento sustentável.
A abertura aconteceu no dia 16 de março, no Cinema do Porto, com a presença de diversas autoridades e parceiros. Participaram do momento o secretário Executivo de Saneamento, Artur Coutinho, representando o secretário de Recursos Hídricos e Saneamento, José Almir Cirilo, a secretária estadual da Mulher em Pernambuco, Juliana Gouveia, o cônsul geral da França no Recife, Serge Gás, o diretor de Sustentabilidade e Inovação do Complexo Industrial Portuário de Suape, Sóstenes Alcoforado; o Assessor Especial do CREA-PE, Bertran Alencar, a professora da UFPE, Josiclêda Galvíncio, além de servidores da Apac e membros do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Capibaribe.

Na terça-feira (17), os servidores da Agência participaram de uma visita técnica ao Complexo Industrial Portuário de Suape, onde conheceram a torre de controle, a unidade de conservação, a Estação Ecológica Bita e o centro administrativo do Porto.

No dia 18 de março, a programação seguiu para o Agreste pernambucano, no município de Pesqueira, no território Xukuru, com a vivência “A Água Sagrada e Círculo de Saberes”. A atividade promoveu um diálogo entre o conhecimento tradicional indígena e a gestão ambiental, com ritual conduzido pelo Pajé Márcio Ororubá e falas da presidente da Apac, Suzana Montenegro; do prefeito de Pesqueira e cacique, Marcos Xukuru; e do secretário Executivo de Saneamento, Artur Coutinho.

Na ocasião, também foram realizadas apresentações sobre o funcionamento de barragens, monitoramento hidrometeorológico, previsão do tempo e revitalização de bacias hidrográficas. A programação incluiu ainda uma roda de conversa sobre Mulher, Água e Ancestralidade, com o Coletivo de Mulheres Xukuru do Ororubá. Como legado, a Apac instalou no território uma Plataforma de Coleta de Dados (PCD) meteorológica, ampliando o acesso às informações de chuva na região.
Já no dia 19 de março, a agenda ganhou um caráter mais técnico com o lançamento do Banco Estadual de Precipitação Preenchida de Pernambuco na Universidade Federal de Pernambuco. Desenvolvida com tecnologia Cubist pelo setor de geoprocessamento e estudos climáticos da Apac, em parceria com a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), a ferramenta promete aprimorar análises e pesquisas sobre chuvas e clima no estado, por meio do Sistema de Unidades de Respostas Hidrológicas de Pernambuco (SUPer). O evento contou com a participação do Diretor de Gestão e Operação do Projeto de Integração do Rio São Francisco, Gustavo Gurgel e do vice-presidente do conselho temático de meio ambiente da FIEPE, Otiniel Barbosa.

Na quinta e sexta-feira, a Apac, em parceria com o Observatório Nacional de Segurança Hídrica e Gestão Adaptativa (INCT ONSEAdapta), realizou a residência artística “Eventos Extremos: aprender com as águas”. A iniciativa foi conduzida pelos pesquisadores Susana Dias e Fernando Camargo, da Unicamp, e reuniu representantes da UFPE, UFRPE, UPE, Universidade Estadual de Salvador, USP, Defesa Civil de Pernambuco, Compesa, Comitês de Bacias Hidrográficas de Pernambuco e o Capibaribe Festival.

A residência conectou arte, ciência e reflexão sobre fenômenos climáticos extremos e seus impactos, propondo uma abordagem inovadora para pensar os desafios das águas em tempos de mudanças climáticas. O encontro foi dividido em quatro momentos, incluindo visita à sala de situação da Apac; diálogos com especialistas em monitoramento climático; visita ao ateliê do artista visual Marcelo Silveira, com vivência sobre processos criativos; além de atividades nos parques lineares das Graças e Baobá, com passeio pelo rio Capibaribe, conversa com barqueiro e trocas de experiências sobre cultura, energia e arte com a pesquisadora Ângela . A programação foi encerrada com mesas de trabalho, práticas artísticas e científicas e reflexões coletivas sobre como aprender com as águas diante de eventos extremos.

Também na sexta-feira, a Semana contou com uma ação lúdica de educação no trânsito, com distribuição de água, simulador de direção com educadores do Detran e a participação da turma do Fom-fom, nos semáforos da Avenida Cruz Cabugá.

O encerramento aconteceu no dia 22 de março, quando se celebra o Dia Mundial da Água, com um evento aberto ao público em parceria com a Prefeitura Municipal de Caruaru, no Parque Ambiental Janelas para o Rio, às margens do Rio Ipojuca. A programação incluiu atividades educativas, apresentações culturais, caminhão da Compesa na Estrada, unidade móvel da Secretaria da Mulher, Secretaria do Meio Ambiente, Sustentabilidade e Fernando de Noronha – Semas, feirinha de mulheres empreendedoras de Caruaru, plantio e doação de mudas, visita ao viveiro da Caatinga, lançamento do programa Domingo no Parque, da Secretaria de Sustentabilidade e Bem-Estar Animal, além de ações de sensibilização ambiental voltadas à conservação dos recursos hídricos.
