Seminário sobre Estratégias de Convivência com o Semiárido perante os Desafios da Mudança do Clima

Ontem, (19) aconteceu o Seminário sobre Estratégias de Convivência com o Semiárido perante os Desafios da Mudança do Clima, que teve como objetivo provocar os participantes sobre ao avanços e desafios para a convivência sustentável com o Semiárido, na relação com a Política Nacional de Recursos Hídricos, no âmbito das bacias hidrográficas do Rio Pajeú e Rio São Francisco.

A atividade contou com a presença de 50 participantes, entre parceiros locais, poder público, governo do estado, agricultores e agricultoras familiares, povos e comunidades tradicionais representativos da abrangência da bacia hidrográfica do Rio Pajeú. A iniciativa faz parte do Projeto de Fortalecimento da organização política e participação social na bacia hidrográfica do Rio Pajeú - executado pela Diaconia e Ministério do Meio Ambiente, através do Fundo Clima. Esse ano, a atividade integrou a programação da Jornada da Terra 2026: "Crise Climática e Justiça Ambiental: territórios, saberes e futuros possíveis”, uma iniciativa liderada pela Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj), diversas organizações e atores sociais em torno da emergência climática e da justiça ambiental.

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Pela manhã, de forma coletiva, foi feito um resgate histórico da linha do tempo das ações do projeto, elencando as conquistas e destacando os desafios da caminhada. Ainda pela manhã, aconteceu uma roda de conversa sobre o funcionamento da política das águas no Brasil e em Pernambuco, a partir da facilitação de Ita Porto, assessora político pedagógica da Diaconia, a partir das falas dos representantes do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco (CBHSF), Elias Silva, que coordena a Câmara Consultiva Regional do Submédio São Francisco do CBHSF; bem como entenderem sobre o sistema integrado da gestão dos recursos hídricos no estado, a partir da Gerência de Revitalização de Bacias Hidrográficas da Agência Pernambucana de Águas e Clima (APAC), na pessoa do gerente Fernando Acioli. Por fim, o público pode compreender o conceito da bacia hidrográfica do Rio Pajeú e a importância da elaboração do Plano Hidroambiental da Bacia do Rio Pajeú, com Carlos Valadares, vice-presidente do COBH Pajeú e coordenador da Câmara Técnica de Planos, Programas e Projetos.

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A tarde, o público se dividiram em três grandes grupos para elencar quais desafios vivenciados nas regiões da abrangência da bacia hidrográfica e quais soluções podem ser consideradas a partir do que já existe de referência. Alguns desafios levantados pelos participantes: alto índice de desmatamento, uso indevido de pulverização aérea, aumento da desertificação, contaminação do Rio Pajeú e seus afluentes, necessidade de reconhecimento do papel ambiental dos povos e comunidades tradicionais e da agricultura familiar. Como soluções, os grupos foram unânimes na necessidade de recomposição dos cursos d´água e matas ciliares dos riachos e do Rio Pajeú, a partir de sistemas de restauração ambiental, campanhas educativas, cobranças por investimentos em tecnologias sociais de convivência com o Semiárido e políticas públicas efetivas para as necessidades de todos os municípios que integram a bacia.

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O evento foi rico em trocas culturais, da nascente à foz, com poesias, musicalidade e se encerrou com um grande Ritual de Toré, conduzido pela Cacica Cícera Pankará e seu Povo. Todas as contribuições de propostas para restauração ambiental da bacia hidrográfica vão fazer parte do “Manifesto dos Povos do Rio Pajeú” que será compartilhado com a sociedade em geral e utilizado como ferramenta de cobrança dos governos. Além disso, espera-se que a Voz dos Povos do Rio Pajeú ganhe visibilidade a partir das ações da Jornada da Terra, iniciativa integrada ao objetivo do Seminário.

Fotos: Evandro Lira e Diaconia